DIRETRIZES
GERAIS DA AÇÃO
EVANGELIZADORA DA
IGREJA NO BRASIL
2011 - 2015
Jesus Cristo, “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14,6)
49ª Assembleia Geral
Aparecida-SP, de 4 a 13 de maio de 2011
3.5.
“Eu vim para que todos tenham vida
e a tenham em abundância”
(Jo 10,10)
65. A vida é dom de Deus! “A grande novidade que a Igreja anuncia ao mundo é que Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, a Palavra e a Vida, veio ao mundo para nos fazer ‘partícipes da natureza divina’ (2Pd 1,4), e para que participemos de sua própria vida. É a vida trinitária do Pai, do Filho e do Espírito Santo, a vida eterna”. “O Evangelho da vida está no centro da mensagem de Jesus. Amorosamente acolhido cada dia pela Igreja, há de ser fi el e corajosamente anunciado como Boa-Nova aos homens de todos os tempos e culturas”. A Palavra de Deus ilumina o compromisso com a rede de comunidades e faz pulsar a vida do Espírito nas artérias da Igreja e em meio ao mundo. A missão dos discípulos é o serviço à vida plena.
66. A Igreja no Brasil sabe que “nossos povos não querem andar pelas sombras da morte. Têm sede de vida e felicidade em Cristo”. Por isso, proclama com vigor que “as condições de vida de muitos abandonados, excluídos e ignorados em sua miséria e dor, contradizem o projeto do Pai e desafi am os discípulos missionários a maior compromisso a favor da cultura da vida”. Ao longo de uma história de solidariedade e compromisso com as incontáveis vítimas das inúmeras formas de destruição da vida, a Igreja se reconhece servidora do Deus da Vida. A nova época que, pela graça deste mesmo Deus, haverá de surgir precisa ser marcada pelo amor e pela valorização da vida, em todas as suas dimensões. A omissão diante de tal desafi o será cobrada por Deus e pela história futura.
67. Ao mergulhar nas profundezas da existência humana, o discípulo missionário abre seu coração para todas as formas de vida ameaçada desde o seu início até a morte natural. Na medida em que nenhuma vida existe apenas para si, mas para outras e para Deus, este é um tempo mais do que propício para a articulação e a integração de todas as formas de paixão pela vida. Só assim conseguiremos, de fato, vencer os tentáculos da cultura de morte.
68. É através da promoção da cultura da vida que os discí- pulos missionários de Jesus Cristo testemunham verdadeiramente sua fé. Num tempo que tende a privilegiar o indivíduo, a ganância e o culto ao corpo em detrimento do bem comum, o discípulo missionário sabe que Jesus Cristo veio dar a vida em resgate de todos, voltando-se de modo especial para a ovelha perdida, desgarrada, fragilizada.82 “É pelo amor-serviço à vida que o discípulo missionário haverá de pautar seu testemunho, numa Igreja que segue os passos de Jesus, adotando sua atitude”, sendo pobre, despojada, sem bolsa nem alforje, colocando sua confiança unicamente no Senhor (Lc 10,3-9).
69. Contemplando os diversos rostos de sofredores, desta Terra de Santa Cruz, especialmente, os “novos rostos dos pobres” o discípulo missionário enxerga, em cada um, o rosto de seu Senhor: chagado, destroçado, flagelado (Is 52,13ss).85 Seu amor por Jesus Cristo e Cristo Crucifi - cado (1Cor 1,23-25) leva-o a buscar o Mestre em meio às situações de morte (cf. Mt 25,31-46). Leva-o a não aceitar tais situações de morte, sejam elas quais forem, envolvendo-se na preservação da vida. O discípulo missionário não se cala diante da vida impedida de nascer seja por decisão individual, seja pela legalização e despenaliza- ção do aborto. Não se cala igualmente diante da vida sem alimentação, casa, terra, trabalho, educação, saúde, lazer, liberdade, esperança e fé. Torna-se, deste modo, alguém que sonha e se compromete com um mundo onde seja, efetivamente, reconhecido o direito a nascer, crescer, constituir família, seguir a vocação, crer e manifestar sua fé, num mundo onde o perdão seja a regra; a reconciliação, meta de todos; a tolerância e respeito, condição de felicidade; a gratuidade, vitória sobre a ambição. O discípulo missionário reconhece que seu sonho por vida eterna leva-o a ser, já nesta vida, parceiro da vida e vida em plenitude. Daí “ratificar e potencializar a opção preferencial pelos pobres”, “implícita à fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza”. e que deverá “atravessar todas as suas estruturas e prioridades pastorais”manifestando-se “em opções e gestos concretos”.
70. De modo especial, ressalte-se a importância da vida no planeta, dilapidada, tanto ética quanto ecologicamente, pelo uso ganancioso e irresponsável. Nestes tempos de crescente consciência ecológica, a Igreja no Brasil, em linha de continuidade com o que faz há quatro décadas, realizou, em 2011, a Campanha da Fraternidade para alertar que, assim como os fi lhos e fi lhas de Deus sofrem desrespeito e ameaças, o planeta inteiro se depara, como nunca, com o risco de degradação talvez irreversível.
71. Consciente de que precisa enfrentar as urgências que decorrem da miséria e da exclusão, o discípulo missionário também sabe que não pode restringir sua solidariedade ao gesto imediato da doação caritativa. Embora importante e mesmo indispensável, a doação imediata do necessário à sobrevivência não abrange a totalidade da opção pelos pobres. Antes de tudo, esta implica convívio, relacionamento fraterno, atenção, escuta, acompanhamento nas dificuldades, buscando, a partir dos próprios pobres, a mudança de sua situação. Os pobres e excluídos são sujeitos da evangelização e da promoção humana integral. Em tudo isso, a Igreja reconhece a importância da atuação no mundo da política e assim incentiva os leigos e leigas à participação ativa e efetiva nos diversos setores diretamente voltados para a construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário.
72. O serviço testemunhal à vida, de modo especial à vida fragilizada e ameaçada, é a mais forte atitude de diálogo que o discípulo missionário pode e deve estabelecer com uma realidade que sente o peso da cultura da morte. Na solidariedade de uma igreja samaritana, o discípulo missioná- rio vive o anúncio de um mundo diferente que, acima de tudo, por amar a vida, convoca à comunhão efetiva entre todos os seres vivos.
Documentos da CNBB - 94

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